• Caco Penna

Os carros parece voarem! Entenda a concordância do verbo "parecer"!


Os carros parece voarem? As crianças parecia chorarem? Essas construções são possíveis gramaticalmente? E como fica a análise sintática desses períodos?

Continue lendo esse artigo e desenvolva ainda mais suas habilidades gramaticais.

A CONCORDÂNCIA DO VERBO “PARECER”:

O verbo “parecer”, quando seguido de um verbo no infinitivo, pode concordar de duas maneiras diferentes. Não... não é uma “exceção” e nem uma “invenção gramatical”, é apenas uma construção sintática de que – embora plenamente justificável, como veremos – “alguns ouvidos PARECE RECLAMAREM”.

Primeiramente, vamos para a concordância mais comum:

- Os carros pareciam voar.

- As crianças pareciam voar.

- Alguns ouvidos parecem reclamar.

Nas sentenças acima, o verbo “parecer” é auxiliar da locução verbal. Como em toda locução verbal, o verbo principal permanece invariável, deixando para o auxiliar o trabalho de indicar tempo, modo, número e pessoa.

Até aqui, tudo certo! Mas o motivo desse artigo é falar da outra possibilidade de concordância.

Vamos começar lembrando que o sujeito de um verbo pode ser expresso por uma oração, ou seja, uma unidade com um verbo. Veja:

A) Fazer exercícios físicos é muito importante.

B) Quem senta na ponta da mesa paga a conta.

Em A, o sujeito do verbo “ser” é “fazer exercícios físicos”. Se dentro do sujeito temos um verbo (“fazer”), dizemos que temos uma oração que funciona como sujeito, ou seja, uma oração subjetiva. O “nome inteiro” dela será Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: vou deixar a explicação “passo a passo” desse nome para outro post; por enquanto, lembre-se apenas de que é uma Oração Subjetiva.

No caso de um período com o verbo “parecer”, é bem possível termos um sujeito oracional:

C) Parece que os carros voam.

D) Parecia que as crianças choravam.

E) Parece que alguns ouvidos reclamam.

Em C, D e E, as orações grifadas são os sujeitos do verbo “parecer”, intransitivo (“isso parece.”).

Perceba que a inversão da Oração Subjetiva com a principal pode ser feita também nas estruturas A e B: “É muito importante fazer exercícios físicos” ou “paga a conta quem senta na ponta da mesa” – as orações em destaque continuam sendo os sujeitos dos verbos das principais.

F) O que parece? ISSO parece.

G) Parece o quê? Parece ISSO.

Nestas últimas sentenças, tanto em F quanto em G, os termos em destaque são o sujeito do verbo parecer. Sendo assim, quem é o sujeito do verbo “parecer” nas sentenças C, D e E acima? Muito bem! As orações em destaque logo depois dele! Temos aí mais 3 casos de Orações Subordinadas Substantivas Subjetivas, ou seja, de orações que funcionam como sujeito.

Certo. Próximo passo: reduzindo orações subordinadas.

Sem nos alongarmos no conceito, para reduzir uma oração subordinada, simplesmente tiramos o conectivo (normalmente um “que”) e reduzimos o verbo a uma das três formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

H) É importante que você faça exercícios físicos.

I) É importante fazer exercícios físicos.

Perceba que, na sentença I, eu eliminei a conjunção “que” e reduzi o verbo à sua forma do Infinitivo – diremos, portanto, que essa oração subjetiva está reduzida de infinitivo. Teremos, portanto, uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinito (o nome é mais “assustador” do que difícil...).

Como sabemos, embora o infinitivo não carregue informações de tempo e modo, ele pode, perfeitamente, trazer informações de número e pessoa:

J) É importante que nós façamos exercícios físicos.

K) É importante fazermos exercícios físicos.

Veja que, em K, mesmo que o verbo esteja no infinito, ele evidencia um sujeito para si (compare I com K).

Caco, e o que isso tudo tem a ver com o verbo “parecer”? Bem, sabendo de tudo isso, conseguimos chegar lá:

C) Parece que os carros voam.

Para reduzirmos a oração subordinada em C, tiraremos a conjunção, deixaremos o verbo no infinitivo e, tendo o verbo um sujeito explícito no plural, vamos conjugá-lo:

...que os carros voam. = os carros voarem. (Tirei a conjunção “que” e acrescentei a marca de plural ao verbo para concordar com o sujeito “os carros”.)

Temos, portanto, a oração OS CARROS VOAREM. Pois bem, agora, em vez de deixarmos as orações separadas, vamos intercalar o verbo “parece” nessa oração subjetiva reduzida:

L) OS CARROS parece VOAREM.

Aqui, o verbo “parecer” não é auxiliar de uma locução verbal, mas sim uma oração principal, separada, que tem como sujeito a estrutura “os carros voarem”. A classificação sintática da sentença L é, portanto:

Parece: oração principal

Os carros voarem: oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo

Claro que, para um estudo superficial, é muito mais fácil simplesmente dizer: “ah! O verbo “parecer” é uma exceção na concordância e permite duas possibilidades!” Mas, se você está comigo, acredito que você queira ir além do “estudo superficial”, superando seus concorrentes nos concursos de nível mais elevado e garantindo sua vaga no cargo desejado... estou certo???

Por fim, o mesmo acontece nas orações “as crianças parecia chorarem” e “alguns ouvidos parece reclamarem”, sendo as orações em negrito o sujeito do verbo “parecer”.

Vale dizer que essa mesma intercalação pode ser feita com as orações desenvolvidas (antes de reduzirmos):

- OS CARROS parece QUE VOAM. = Parece que os carros voam.

- AS CRIANÇAS parecia QUE CHORAVAM. = Parecia que as crianças choravam.

- ALGUNS OUVIDOS parece QUE RECLAMAM. = Parece que alguns ouvidos reclamam.

Na hora da questão envolvendo esse tipo de concordância, o importante é deixar o ouvido de lado e se debruçar na análise sintática.

Espero ter deixado claro! Continue sempre por aqui! Ah, e estou esperando por você no Youtube, no Instagram, no Face... se você está comigo, não aceito menos do que ver você gabaritar a sua próxima Prova de Português!

Grande abraço e bons estudos!

Caco Penna

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